Multi-unidade e Franquias

Matriz e franqueados: quem controla cada perfil e com qual nível de acesso

O Perfil da Empresa tem só dois níveis de acesso: proprietário e administrador. Veja o que cada um permite e como dividir o controle entre matriz e franqueados.

Por Sanderson Oliveira · 29 de setembro de 2026

Numa rede de franquias, a matriz deve ser a proprietária principal de cada perfil e o franqueado deve entrar como administrador da própria unidade, e só dela. Essa divisão resolve quem pode tirar quem, mas não resolve o que cada um pode editar: o Google oferece apenas dois níveis de acesso, e o administrador consegue mudar quase tudo no perfil. O que falta na ferramenta precisa estar escrito no contrato e no manual da rede. Não existe configuração que substitua essa conversa.

Os dois níveis que o Google oferece

A página de proprietários e administradores da Central de Ajuda do Google define as funções assim: o proprietário tem controle total, pode adicionar e remover usuários, editar informações e excluir o perfil. O administrador, antes chamado de gerente de local, tem basicamente o mesmo acesso, com três exceções: não adiciona usuários, não remove usuários e não exclui o perfil.

Dentro dos proprietários existe ainda o proprietário principal. Um perfil pode ter vários proprietários, mas só um principal, e ele não consegue se remover sem antes transferir essa posição para outra pessoa. Na prática, o proprietário principal é quem a rede precisa controlar, porque é a última palavra sobre o perfil.

Duas regras operacionais completam o quadro:

  • Cada usuário precisa de uma Conta do Google própria. Grupos do Google não podem ser adicionados como proprietários ou administradores, então não há atalho de lista de e-mail.
  • Quem acabou de entrar espera sete dias. Nesse período, um novo proprietário ou administrador não pode excluir o perfil, remover outros usuários nem transferir a propriedade principal.

O que o administrador consegue mudar

Aqui está o ponto que surpreende as redes. Como o administrador tem quase o mesmo acesso do proprietário, ele edita nome, categoria, telefone, horário, fotos e postagens, e responde avaliações. Não existe no Google um nível intermediário que libere avaliações e postagens e bloqueie os dados principais.

Isso muda a pergunta. A matriz não escolhe entre "o franqueado pode editar o nome" e "o franqueado não pode editar o nome" dentro da ferramenta. Ela escolhe se o franqueado terá acesso ao perfil ou não, e depois define por escrito o que ele pode fazer com esse acesso.

Por isso a padronização descrita em como manter o NAP igual entre unidades depende tanto de regra quanto de permissão. O acesso diz quem consegue mexer. O manual diz quem deve mexer, e a conferência periódica mostra quem mexeu sem dever.

Como distribuir o acesso numa rede de franquias

O desenho que envelhece melhor separa três papéis. Cada um tem uma razão para existir, e nenhum deles deveria depender de uma única pessoa física:

  • Matriz como proprietária principal. Idealmente com uma conta institucional da empresa, não com o e-mail pessoal do diretor de marketing. É a conta que sobrevive a trocas de equipe.
  • Um segundo proprietário na matriz. Serve de contingência e é exigência prática: para transferir a propriedade principal, o perfil precisa ter pelo menos outro proprietário ou administrador.
  • Franqueado como administrador da própria unidade. Ele opera o dia a dia, responde avaliações, publica e atualiza horário de feriado, sem poder remover a matriz nem excluir o perfil.

Agência contratada entra como administradora, nunca como proprietária principal. É a mesma lógica que evita o problema de perfil que ficou preso com a agência antiga: quem presta serviço opera, quem é dono da marca controla. Antes de conceder acesso a um fornecedor, vale passar pelas perguntas de o que perguntar antes de contratar uma agência.

Grupos de unidades: acesso por atacado

Quando os perfis estão num grupo de unidades, o acesso pode ser dado no grupo em vez de perfil por perfil. A Central de Ajuda avisa o efeito colateral: quem vira proprietário ou gerente do grupo passa a acessar todos os perfis atuais e futuros dele. Numa rede com franqueados, isso quase nunca é o que se quer.

A regra prática é simples. O grupo fica com a matriz e com quem trabalha para a rede inteira, como a equipe central ou a agência que atende todas as unidades. O franqueado recebe acesso individual ao perfil da unidade dele, o que o Google permite fazer mesmo com o perfil dentro de um grupo. A estrutura dos grupos em si está em como gerenciar vários perfis a partir de uma conta.

Redes com unidades próprias e franqueadas, ou com mais de uma marca, podem separar os perfis em grupos diferentes. O Google aponta o custo dessa escolha: cada grupo tem seus próprios usuários e sua própria planilha de importação, e não existe um painel único para todos. Separe só quando os conjuntos de pessoas com acesso forem de fato diferentes.

Entrada e saída de franqueados

A governança de acesso é testada nos dois momentos em que a rede muda: quando uma unidade abre e quando um franqueado sai. Nos dois, o erro caro é tratar o acesso como detalhe administrativo para depois.

Na entrada, o perfil deve nascer com a matriz como proprietária principal, e o franqueado é convidado como administrador. Se o franqueado cadastrou a unidade por conta própria antes de entrar na rede, a propriedade principal precisa ser transferida para a matriz antes de qualquer outra coisa, e isso leva ao menos sete dias por causa do prazo para novos proprietários.

Na saída, remover o franqueado é tarefa de proprietário, e o Google avisa a pessoa por e-mail. As respostas a avaliações e as postagens que ele fez continuam no perfil, então revise o histórico recente antes de passar a unidade adiante. Edições feitas nos últimos dias da operação, quando a relação já estava desgastada, podem ser desfeitas com o caminho de como reverter edições indevidas.

O que fica fora da ferramenta

Nenhuma configuração do Google impede um administrador de trocar a categoria principal da unidade. Por isso o documento que realmente governa a rede não é a tela de pessoas e acesso, e sim a política escrita que diz o que o franqueado pode alterar sozinho, o que precisa pedir à matriz e em quanto tempo a matriz responde.

Essa política costuma ter três colunas: campos livres para a unidade, como horário especial, fotos e respostas a avaliações; campos que só a matriz altera, como nome, categoria principal e site; e campos negociados, como telefone e descrição. Se ela estiver no contrato de franquia, a conversa sobre uma edição fora da regra deixa de ser pessoal.

Se você não sabe hoje quem é proprietário principal de cada unidade da sua rede, nem quantos ex-franqueados ou fornecedores ainda têm acesso, uma auditoria gratuita levanta esse mapa perfil a perfil antes de você redesenhar as permissões.

Perguntas frequentes

O franqueado pode ser proprietário do perfil da unidade dele?

Pode, mas não é recomendado. Como proprietário, ele consegue remover a matriz e até excluir o perfil. Se o contrato terminar mal, a marca fica refém de uma negociação para recuperar a própria unidade.

Existe um nível de acesso que só permita responder avaliações?

Não. O Google oferece proprietário e administrador, e o administrador edita quase tudo. Restringir o que o franqueado altera depende de política escrita e de conferência periódica, não de configuração.

Quanto tempo leva para trocar o proprietário principal?

Depende de quando a pessoa entrou no perfil. Quem acabou de ser adicionado espera sete dias antes de poder receber ou transferir a propriedade principal, e o perfil precisa ter outro proprietário ou administrador para a troca acontecer.

Se eu remover um franqueado, as respostas dele somem?

Não. Respostas a avaliações, postagens e outras ações feitas pela pessoa continuam no perfil depois da remoção. Se algo precisar sair, edite ou apague manualmente depois de assumir o controle.

Leia também